03/08/2007

Rapidinha

Ainda por aqui ando...
Continuo a visitar-vos mas sem vontade comentar e postar...
vim deixar beijinhos e miminhos a todos.

Boas férias se for caso para tal.

06/07/2007

Hoje sou pequenina!


6 de Julho de 1992 1º dia de trabalho da minha vida na colónia de férias da Junta de Freguesia
8 de Julho de 1994 – exame de História de Portugal com a matéria toda do ano lectivo
6 de Julho de 1995 - «Mais uma vez irá recair sobre mim a maldição… O dia dos meus anos é sempre a mesma desgraça…
Já me sinto triste e ainda só é uma hora da manhã. Com certeza devo ter sido malfadada em bebé, ou então é consequência das vezes que a minha mãe amaldiçoou o dia do meu nascimento…Não me lembro de passar um dia do meu aniversário em que não tenha chorado, e nem sequer é por estar a ficar mais velha!
Tive exame de Filosofia da Matemática»
3 de Julho de 1998 - «Hoje tive um acidente de automóvel. Houve um estúpido que resolveu fazer inversão de marcha a grande velocidade antes que viesse alguém. Esqueceu-se foi de ver se já lá vinha alguém. O Fiat Cinquecento ficou com a frente desfeita. A culpa foi dele. Fiquei com a marca do cinto de segurança perto do ombro esquerdo e, durante o acidente em que me bateu e me empurrou contra um poste, perdi os sentidos.
Não há um aniversário em que a maldição não ataque…isto é pior do que os filmes da Twilight Zone!
Passei a tarde toda a tentar contactar o meu pai. Não estava na loja nem na vivenda, o telemóvel é para estar desligado e eu não sei fazer sinais de fumo…
Conclusão: Quando “falei” com ele, e antes de me ouvir disse que a culpa era minha. Penso que só soube como foi o acidente na Segunda-feira seguinte, e foi porque leu a proposta amigável que deixei em cima do balcão da loja.»
7 de Julho de 1999 - «A maldição atacou outra vez...
Pintaram o «meu» carro com tinta de óleo vermelha durante a noite (o meu pai matava-me se soubesse)!!! Eu e a T estivemos desde as 8h da manhã até às 12:30h numa oficina a tirar a tinta, com a ajuda de mais 3 pessoas.
Felizmente saiu a tinta toda. Não contei nada aos meus pais, apenas ao meu irmão, no dia 18 de Julho de 1999.»

O gatinho caiu do 3º andar (só tinha 3 meses) - 3 de Julho de 2000

Devem haver mais relatos destes pelo meu diário mas não me apeteceu procurar mais :) Se não me acontecer nada pior, já tive a minha dose esta semana...
Tenho tantas saudades vossas...
Sei que ainda tenho algo para contar (ver post anterior) mas ando a evitar falar nisso...
BEIJOS


12/06/2007

Grávida no coração

Descobri numa biblioteca escolar este livrinho cheio de pó, com uma história fantástica...
Tenho mesmo que dividi-la com vocês...«- Mãe, gostas de mim?
- Gosto de ti até ao céu, meu filho.
- Mãe, se tivesse estado na tua barriga, gostavas mais de mim?
- Não, meu filho, porque haveria de gostar? Tu estiveste dentro de mim, no meu pensamento e no meu coração. O meu desejo de te ter, de te pegar, de ver o teu rosto era tão grande como a barriga de grávida.

- Mãe, então tu dizes que gostas tanto de mim, teu filho adoptivo, como do meu irmão, que é teu filho biológico!

- Claro que sim. Quando estava á espera do teu irmão sentia-me muito feliz, porque ia ter um filho; não porque a minha barriga estava a crescer.

- Há muitas maneiras de ter filhos: na barriga no coração...

– Mãe, grávida no coração? O coração não tem filhos!

- Tem filhos sim, e foi lá que tu nasceste, é lá que estás a crescer e é onde vais ficar. Para qualquer lado aonde vá, levo-te sempre no meu coração.

- Ah! Então é mais importante o coração de uma Mãe do que a barriga!

- Claro, meu filho. Mãe é aquela que chora quando estás doente, que te pega ao colo mesmo quando lhe doem as costas e que te da um beijo de boa-noite. Mãe é aquela que te ama, a que está aqui e no fim do mundo, se precisares. O pai não engravida, no entanto ama os filhos desde o primeiro momento, e para sempre.

– Pai, mas eu não sou parecido contigo!

– És parecido comigo, sim! Tens o meu nome e és um bocadinho daquilo que eu sou, daquilo que eu gosto, daquilo em que eu acredito e que respeito. Até falas como eu!

– Pai, e os genes?

– Se um dia quiseres ser músico, atleta ou escultor, cantaremos juntos, faremos corridas na praia com os teus irmãos e até encheremos a casa com barro.Tu não precisas saber quais os teus genes.Precisamos é de estar juntos para os descobrir.

- Mãe, e a minha história?A tua história és tu quem a vai fazer. A tua história somos nós, tu, eu e o teu pai, os teus irmãos, avós, primos, tios, todos os que estão aqui ao teu lado, orgulhosos, a ver-te a crescer lindo e feliz.

- Mãe, porque me adoptaste?

- Porque queria ser mãe!

- Então és tu a minha verdadeira mãe! »

(Grávida no Coração; Paula Pinto da Silva; Editora Campo das Letras; Colecção Palmo e Meio)

10/06/2007

Prémio!


Esta amiga ofereceu-me este prémio.
Sinto-me muito lisonjeada...
Este blog foi criado também para ela e ela sabe porquê...
OBRIGADO amiga...

Vou agora nomear dois blogs:
És a nossa vida
Porquê?...
Bom porque adoro o que escrevem, por serem minhas «cumplices» e porque estão sempre entre as primeiras visitas que faço diáriamente.

Em relação a mim... Tenho que desabafar mas não será hoje...
Imaginem que estão numa óptima fase da vossa vida, estão felizes e não podem ver a vossa mãe porque está longe e porque o vosso pai não a deixa visitar-vos...

Obrigado por estarem aí...

30/05/2007

Socorro!


Vim deixar um beijinho do tamanho do MUNDO!
Tenho andado muito cansada, mas acho que já me queixei disso...

Nunca mais acaba a escola!
Que tortura...
Depois é a feira do Agrupamento, depois é o Dia da Criança (actividades diferentes), depois são as Fichas de Avaliação, depois são as reuniões, depois é...

14/05/2007

Não quero ir...

Passei para deixar beijinhos a todos e para dizer que tenho andao por aqui, sempre a «cuscar» os vossos cantinhos...lol
Esta semana vou ter duas reuniões (hoje e sexta) que começam às 19h. São por causa das Provas de Aferição que se vão realizar na próxima semana: terça e quinta de manhã.
Estou danada porque fui convocada para aplicar essas provas, vou ter duas reuniões, vou trabalhar (além do meu horário que é de tarde) mais duas manhãs e...

NÃO VOU RECEBER MAIS POR ISSO!

E mesmo que fosse receber, preferia não ir!

Para o Blog: VIDAS ENVOLVIDAS:
;))

11/05/2007

Criar laços

Foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu o principezinho com delicadeza. Mas ao voltar-se não viu ninguém.
- Estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
- Quem és tu? Disse o principezinho. És bem bonita…
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Anda brincar comigo, propôs-lhe o principezinho. Estou tão triste…
- Não posso brincar contigo, disse a raposa. Ainda ninguém me cativou.
- Ah! Perdão, disse o principezinho. Mas depois de ter reflectido, acrescentou:
- Que significa “cativar”?
- Tu não deves ser daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que significa “cativar”?
- Os homens, disse a raposa, têm espingardas e caçam. É uma maçada! Também criam galinhas. É o único interesse que lhes acho. Andas à procura de galinhas?
- Não, disse o principezinho. Ando à procura de amigos. Que significa “cativar”?
- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. Significa “criar laços”…
- Criar laços?
- Isso mesmo, disse a raposa. Para mim não passas, por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu não precisas de mim. Para ti não passo de uma raposa. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro. Serás para mim único no mundo. Serei única no mundo para ti… e será como se o sol iluminasse a minha vida. Por isso, quando me tiveres cativado vai ser maravilhoso!


E tu, não há dúvidas…
CATIVASTE-ME!!
Nota - Hoje foi um dia para a lamechice, lol

In «O principezinho»

02/05/2007

Mais novidades escolares

Lembram-se daquelas figuras para pôr as legendas no Estudo do Meio?
Pois imaginem que estão a corrigir uma do Aparelho Digestivo e que no lugar de intestino aparece:
«tripas finas» e «tripas grossas»!

Assunto: Pontuação
Pergunta: Como se chama este ponto? (!)
Resposta: «Ponto parágrafo»

Dahhhhhh!

Nota - Amigos, tenho andado muito preguiçosa ultimamente... Ando cansada e parece que o ano escolar nunca mais acaba...
Continuo a visitar os vossos cantinhos, mas não tenho comentado. Na escola raramente há internet e quando há é tão lenta que prefiro ler tudo sem comentar senão tinha que lá dormir!
Em casa a minha criança não me tem deixado muito tempo nem para descansar...
Beijinhos a todos e ...
Eu estou deste lado embora não apareça muitas vezes!

26/04/2007

Há cada um!

Amigos peço desculpa pela ausência mas tenho-vos visitado sempre, apesar de não comentar... Nem poderia ser de outra maneira, lol ;)... Estou «agarradinha» aos blogs, acho até que tenho ir fazer uma desintoxicação

Se alguém conhecer este número diga por favor: «quadragésimo trigésimo»

Vejam esta maneira de «levar à água ao seu moinho»:
Problema de 4º ano:

«Um campo de forma quadrada tem de lado 175m. o Manuel deu 5 voltas ao campo a correr. Quantos quilómetros correu?»
Solução acertada: 175mx4 ladosx5voltas=3500m que é o mesmo que 3,5Km.
Solução do aluno: 175m:5voltas=35m
Perguntei-lhe:Achas que se ele estiver a correr à volta do campo a distância vai diminuir de 175 metros para 35 metros?
Resposta: Sim se estiver a CORRER DE COSTAS!

18/04/2007

É demais!


Esta tive que vos vir contar...
Ontem estive a dar apoio a 4 meninos do 4ºano. Dei-lhes uma FICHA de matemática.
Um deles deu uma cotovelada nas costas da cadeira e ficou aflito.
Perguntei-lhe:
«Apanhaste um choque?»
«Sim, bati aqui atrás...» - disse ele.
Perguntou-me outro:
«Como é que se apanha um choque?»
Eu (que sei que se metem em todas as conversas para não trabalharem), virei-me para ele e a rir e disse:
«Pões o dedo numa FICHA»
Vocês acreditam que ele pôs o dedo na FICHA de Matemática?!!
E a estupidez é que ficou à espera de apanhar um choque!
De repente uma das outras almas iluminadas começou-se a rir e disse:
«Não é aí parvo é na POMADA!»
Sim, sim, disse pomada em vez de TOMADA!
Nunca mais digo a ninguém para pôr o dedo numa ficha, imaginem que ele ia, apanhava um choque e ainda ia dizer que fui eu que lhe disse para o fazer!!!
Estes miúdos de hoje estão mesmo «tapados»...

16/04/2007

Atalhos na linguagem!

Mas porque é que os homens gostam de conduzir por atalhos?
«Quem vai por atalhos mete-se em trabalhos»
Mesmo que seja mais perto acontece sempre alguma coisa que faz com que demoremos o mesmo tempo...
Aconteceu isso ontem... estava montes de calor. E saímos da auto-estrada para conhecermos um caminho novo...
Caminho mal alcatroado, infindável que foi dar a uma fila enorme de carros porque... havia feira!
Pus a mão na testa, «bufei», olhei para a minha janela e vejo um lago. Junto ao lago vejo muitas malvas (fazem um chá muito docinho), e digo:
«Bom, já tenho água, já tenho malvas, acho que dá tempo para ir ali lavar o c#!!»
Desatei-me a rir mesmo antes de acabar a frase, chorei a rir, é claro que o calor não me estava a fazer bem!
Ainda ouço o B. a dizer à nossa cria (que não ouviu o que eu disse mas que estava a perguntar o que é que eu tinha):
«A tua mãe cada vez está pior!!»

11/04/2007

O menino que tinha dois olhos

Há um texto que gosto muito. Foi contado numa Acção de Formação para professores (em acetatos). Sei que gastei um balúrdio em fotocópias e não se aproveitaram os desenhos para grande pena minha.
Costumo contar esta história aos meus alunos e eles adoram.
Espero que gostem.

«Entre ontem à noite e esta manhã existiu um planeta que era muito parecido com a Terra.
Os seus habitantes distinguiam-se dos terrestres por terem somente um olho.
Era, na verdade, um olho maravilhoso com o qual se podia ver no escuro, e a muitos quilómetros de distância, e através das paredes...
Com aquele olho podiam ver-se os astros como através de um telescópio...
Todavia naquele planeta, as mães tinham os filhos tal como as mães da Terra têm os seus.
Um dia, nasceu um menino com um defeito físico muito estranho: tinha dois olhos.
Os pais ficaram muito tristes.
Não tardou muito a ficarem contentes; afinal era um menino muito alegre..., além disso, parecia-lhes bonito...
Estavam cada vez mais contentes com ele e tratavam-no muito bem.
Levaram-no a muitos médicos...mas o seu caso era incurável. Os médicos não sabiam que fazer.
O menino foi crescendo e os seus problemas eram cada vez maiores: à noite tinha necessidade de luz para não tropeçar na escuridão...
Pouco a pouco, o menino que tinha dois olhos ia-se atrasando nos estudos; os professores dedicavam-lhe uma atenção muito especial...
Precisava de atenção constantemente.
Aquele menino pensava já que não is prestar para nada quando fosse maior...
Até que um dia descobriu que via qualquer coisa que os outros não podiam ver... Então, foi contar aos pais como ele próprio via as coisas... Os pais ficaram maravilhados...
Na escola, as suas histórias encantavam os companheiros. Todos queriam ouvir o que ele dizia sobre as cores das coisas. Era emocionante escutar o menino dos dois olhos.
E, passado algum tempo, era já tão famoso que ninguém se importava com o seu defeito físico. Ele próprio chegou a não se importar também com isso. Porque, mesmo que houvesse muitas coisas que não podia fazer, não era, de maneira nenhuma, uma pessoa inútil. Chegou a ser um dos habitantes mais admirados de todo o seu planeta.
E quando nasceu o seu primeiro filho, toda a gente reconheceu que era muito bonito. Além disso, era como as outras crianças: só tinha um olho.»

O menino que tinha dois olhos
Os direitos da criança
J. L. Garcia Sanchez;
M. A. Pacheco; pp. 33
Edições Despertar; 1979

09/04/2007

Alma gémea

“Há muito tempo todas as pessoas tinham quatro pernas e duas cabeças. Os deuses resolveram então, dividir todas as pessoas ao meio, ficando cada uma delas com uma cabeça e duas pernas. Desde então, cada uma dessas meias pessoas tenta encontrar a sua outra metade, pois cada uma delas apenas ficou com metade da alma...”
Adoro este texto, gostei tanto dele que o escrevi quando o ouvi na televisão pela primeira vez...

O B. é mesmo a minha alma gémea, e a vossa? Já encontraram?

Prometo visitar-vos em breve, desculpem a ausência...

Nota (10/04/2007) - Não tenho actualizado os filmes da coluna lateral porque nunca mais vi nenhum que valesse a pena pôr aqui.

Beijinhos a todos - Visitas actualizadas!

08/04/2007

Boa Páscoa!

Amigos, desculpem a ausência mas tenho estado a dar atenção ao maridão e à minha cria... Finalmente apanhei o meu marido de férias!
Já há muito tempo que pareciamos o «guarda-nocturno e a mulher a dias», não tínhamos tempo para nos «encontrar».
Depois conto as novidades...
Beijinhos cheios de açúcar e chocolate! Até amanhã...

29/03/2007

Férias... será?

Acho que já estou de férias...
Depois de ter umas quantas reuniões, de me ter calhado a fazer a acta, de ter soprado por toda a gente estar mais interessado em outras coisas do que em acabar a m*rd@ da reunião, de ter andado a coçar (os tomates se os tivesse) a micose de escola em escola (para a ministra temos que ficar nas escolas a trabalhar, nem que seja a contar moscas!), etc...
Acho que estou de férias... se não me telefonarem a pedir para organizar os carimbos por ordem alfabética!
Hoje já fui cortar o cabelinho que estava mesmo, mesmo a precisar...
Sou eu quem corta cabelos cá em casa mas a mim própria não consigo, lol.
Este solinho que está a bater na minha varanda, dá mesmo vontade de ir ali fazer a fotossíntese um bocadinho!
É isso mesmo que vou fazer...
lol
Obrigado pelos miminhos deixados no último post. Principalmente à Joana e ao meu mano.
A todos os outros miminhos um obrigado duas vezes, lol.

27/03/2007

Sou feliz!

Amigos, quero esclarecer uma coisa (apesar de ninguém ter pedido uma seca!):
Não sou uma pessoa triste nem amargurada. Quem me conhece sabe que estou sempre bem disposta. Ainda ontem nas reuniões de professores (final de período) quem se sentou ao pé de mim nunca parou de rir...
Sou daquelas que diz as piadas e faz cara de santa, desde o liceu! Quem ia para a rua era quem estava ao lado (não é muito bonito, eu sei, lol).
Estou de bem com a vida e com o que consegui.
Tenho é algo dentro de mim que não me deixa perdoar ou apagar o que aconteceu no passado...
Eu, o meu irmão e a minha mãe gozamos com coisas que nos aconteceram por causa do meu pai.
Hoje em dia tratamos-nos de vez em quando por:
«Ó anormaaal!»; «Preto!», «Mestre de obras», etc.
Tudo isto com um sorriso nos lábios e só entre nós e amigos muito próximos...
Quem está de fora não acha piada, mas quem conhece e convive/conviveu com esta realidade, só pode rir, lol!
Volta e meia no meio de uma conversa vem sempre um comentário feitos pelo meu pai, do género:
«Pois porque os dinossauros não existem, os cientistas é que não têm nada que fazer e depois inventam. Eu também vou pôr uma pegada ali no cimento e depois digo que foi um dinossauro!»
(Na verdade não anda muito longe, lol);
«Vê-lá se queres levar com uma chave-inglesa nas costas!»
A única coisa que não me deixa completamente feliz é não conseguir dar mais felicidade à minha mãe: um companheiro que a respeite, liberdade, tempo para não fazer nada, etc.
Assim, tento compensá-la da melhor maneira que consigo...Há amigos que comentam o meu blog e que conhecem a minha realidade. A Joana é uma pessoa que não conheço mas que é muito amiga do meu irmão. Ela saberá do que estou falar.
A Gaiata é uma amiga do peito apesar de não a conhecer pessoalmente e que também já me conhece minimamente.
A Gioconda... pediu-me para lhe enviar um email (no dia 7 de Março). Não me esqueci, e hoje enviei! Acham que ainda vou a tempo?!
Espero continuar a fazer amigos virtuais e não virtuais, porque poucos ou muitos, bons ou maus todos eles tiveram a sua prestação na minha vida.
E com eles aprendi a ser como sou hoje.
Obrigado por todo o apoio que me dão e, quem goza mais com esta situação toda sou eu! Portanto não tenham medo de o fazer também!
lolol

26/03/2007

Aves (escrito em 2001)

Já tivemos de várias espécies. Actualmente a minha mãe dedica-se à criação de periquitos. Acabámos por ter de os vender na loja pois o seu número ascendia já as quatro dezenas.
Os mais falados são a Lolita (periquita que morde por desporto, por hobbie e por profissão), o Charuto (pinto que enquanto ovo foi chocado por uma rola e posteriormente criado pela minha mãe) e um pombo correio, que aterrou desorientado na vivenda e que o meu pai depenou vivo por pensar que se tratava de um dos pombos do vizinho, que ia comer o milho das nossas galinhas. Quando se apercebeu da diferença entre os pombos correio e os pombos do vizinho, cuidou do desgraçado do pombo que acabou por ficar o tempo suficiente para que as penas lhe crescessem, pôs um ovo e foi-se embora.
Criámos também um pequeno pardal, o Charro que acabou por morrer de velho. Como foi criado sem comer minhocas, sempre foi muito raquítico.
Também já tivemos dois patos para além de galinhas. Nunca comemos as nossas galinhas, apenas comemos os seus ovos. Como os patos não punham ovos, o meu pai, um dia matou-os com uma machadada. Ninguém os comeu, acho até que nem os cães.
Mais uma vez o meu pai demonstra o que realmente é... até neste post!
Nota - O braço continua negro. Melhorei, mas depois de um pequeno esforço, senti uma dor forte. Nova hemorragia, nova nódoa negra!

23/03/2007

Ainda cá estou...

Ainda por aqui ando... cansada.
Hoje é o último dia de aulas e então vamos fazer um piquenique.
Para a semana vou ter reuniões o dia todo pelo menos na segunda e na terça, pelo que é capaz de ser difícil vir aqui... mas vou tentar.
Desejo-vos um óptimo fim de semana.

Mil beijinhos!

22/03/2007

Idas à bruxa

Afinal ainda não me nasceu carapinha!
Como optei por pôr gelo em vez de tomar o pequeno almoço (devo ter feito a escolha certa) pois só tenho duas mãos, não está (ainda) muito negro...

Em relação ao comentário da Anokax:
Também não me importava de sair no jornal 24 Horas!
Bom, se nascesse um allien bem antipático e com mau feitio sempre podia dizer que era tal e qual o meu pai! lol

Quem me conhece já diz que tenho que ir à bruxa. Realmente tudo me acontece ultimamente!
Acho que vou alugar uma camioneta para não ir sozinha, quem quer ir comigo?

21/03/2007

Análises

Hoje estou pior que estragada...
Resolvi ir fazer análises (faço com regularidade só para controlo) e a parva da enfermeira ia-me matando! Primeiro doeu-me horrores e depois de tirar a seringa (ainda bem que lá fiquei um pouco sentada a falar com ela) a minha pele, no sítio da picada ficou inchada como um ovo de codorniz!
Conclusão:
A «culpa não foi dela, foi da veia que não ficou bem fechada(?)», deve ter sido minha portanto;
Vou ficar com o braço todo negro. Por este andar até carapinha me vai nascer!
Dói-me muito o braço e não posso pegar em nada pesado.
Ainda tem a lata de dizer que como eu vi ela tirou bem o sangue, só ficou inchado depois!!!
DAHHHHHHH!
Valha-me Deus, mas tudo me acontece!
Podia ter acordado mais tarde, não ter feito chichi para um frasquinho minúsculo, não ter sido picada, não estar com dores e a ficar negra...
Mais valia ter ficado quieta!
O que mais me assustou foi a reacção da enfermeira! Ficou mesmo assustada e atrapalhada... Eu estava a ver que ainda me saia dali algum Allien!

20/03/2007

Sou Bugs Bunny?!


Façam o teste e fiquem a saber qual o desenho animado que mais se parece com vocês.
Não concordo com a parte do casamento e dos filhos serem menos importantes que a diversão.
Já arranjei o link, desculpem... não funcionava mesmo!

19/03/2007

Dia do pai...

... qual pai?
Procurei nos meus «arquivos» algo que tenha escrito sobre este dia. Não encontrei.
O que pode ser comemorado agora...hoje?
O facto de eu já não estar em casa e dele já não me poder bater? Sei que se lá vivesse e se a ocasião se propiciasse, aconteceria...
Aconteceu em 1998, quando entendeu que deveria ir comigo às entrevistas de emprego para trabalhar em escolas particulares. Foi preciso bater-me... mas consegui que não fosse!
«Dá um ar mais respeitado...» - dizia ele.
Pois sim, e irresponsável. Como poderia eu dar aulas num colégio/externato se não era suficientemente autónoma para ir a uma entrevista de emprego sozinha?! (queria até entrar comigo...)
Enfim... já cumpri a minha obrigação hoje.
Tal como se toma um comprimido, telefonei-lhe.

Resta-me preparar o Dia do Pai aqui em casa, para o B. que bem merece!
Resta-me não... não é um resto, é um TUDO!
Obrigado a todos pelas palavras de carinho...

Anokax, o meu nome não te posso dizer, mas posso dizer-te a primeira letra: C.
E não é de Cremilde, Celestina, Caetana ou Clotilde, lol.

18/03/2007

Os meus alunos (1º ano)

Algumas expressões ou atitudes engraçadas...

28 de Outubro de 2002
Segunda-feira


Hoje o meu aluno Danilo (6 anos - negro) a propósito não sei de quê disse:
- A prófessora é bônita!
O Samori (6 anos acabados de fazer – negro) afirmou de seguida:
- Pret’ abusado! Tu não prestas!

5 de Novembro de 2002
Terça-feira


O Samori disse:
- Minha irmã trançou cabelo.

No outro dia disse:
- Em casa tem bárata grande. Anda no prato do pai. Eu não vou lá, ela foge.
- Eu tem medo de fantasma, eles vem de noite e puxa no pé. Meu irmão conta história de fantasma e eu fico com medo. Depois fico acordado e de manhã tem sono.

- Prófessora, Diogo tá a pôr cascas do lápis no chão – disse o Samori

Uma vez, o André (negro) subiu ao pinheiro da escola (que ainda é alto) e urinou para cima dos outros que estavam a olhar para ele. Tal como os gorilas em África... Na altura não achei piadinha nenhuma...

Foi um ano lectivo muito difícil. Tenho dois cabelos brancos que foram trazidos de lá...

Numa turma de quase 20 alunos, mais de metade eram negros. Não tinham referências familiares, pertenciam a famílias destruturadas, não tinham condições de higiéne (vinham urinados para a escola), não traziam lanche...

Guardo sempre uma foto decada um dos meus alunos, para poder olhar para eles e pensar que deverão ter crescido BEM.

Nota - O Samori (como ele próprio se chamava, vinha registado como Amorim).

O Danilo (negro lindo de olhos verdes) era filho de uma senhora que, quando lhe perguntavam a profissão dizia:
«O que é que você acha?»

16/03/2007

Comparação com o presente...

A S. de que falei no outro post. Foi casada com o L.
Têm uma filha linda, a C. que foi a menina das alianças no meu casamento. Tem agora quase 7 anos (tinha 2).
A S. morreu há 2 anos com cancro no útero (entre outros problemas), não tinha ainda 30 anos.
A P. continua casada com o R.
Casou em 2001 e nunca tomou a pílula desde que casou. Ainda não engravidou.
A vida acaba por nos mostrar que realmente não temos que sentir pena do que ela não nos dá em determinada altura... por mais que nos custe.Nunca fui invejosa (a sério!) e sempre lutei muito pelo que quis. Estava era numa situação muito frágil e sentia-me muito sozinha.
Elas só falavam em viagens e em roupas, etc.

Eu não abria a boca.

Penso que não tiveram sensibilidade para me apoiar nessa altura porque como nunca passaram por algo semelhante, nunca sentiram na pele a falta que faz um bom APOIO dado na altura certa.

15/03/2007

Ainda antes do casamento...

Janeiro de 2002

O ano começou. O B. está novamente desempregado.
Casaremos em de Maio de 2002, Sábado.

26 de Janeiro de 2002
Sábado

Provei o saiote do vestido de casamento na costureira.
Comprámos um candeeiro para o nosso quarto.
Tentámos tratar do processo de casamento na igreja: “Hoje tou cheio de pressa, venha cá na terça-feira às 19 horas”, disse o padre enquanto quase fugia de nós.

27 de Janeiro de 2002
Domingo


Ontem fomos jantar a casa da S. e do L. com a P. e o R. Por vezes sinto-me inferiorizada e ontem foi um desses dias. A S. e a P. viajaram imenso durante toda a vida, eu não. Tanto uma como a outra têm uma vida que lhes permite adquirir com regularidade o que gostam, quase sem esforço: computadores portáteis, roupas de marca, passear, etc., eu não. Uma casou primeiro que todos nós (desde que nos conhecemos) e a outra teve uma bebé primeiro que todos nós, e eu nem uma nem outra. Uma tem um marido que ganha bem e a outra tem um marido que trabalha em tudo quanto é sítio para poderem ter uma boa vida, e eu tenho um noivo desempregado. A única coisa que eu tenho em relação à S. é a casa toda mobilada mas nem isso posso exibir porque primeiro, a casa está a precisar de ser toda pintada, segundo porque para eles virem cá a casa tinham que vir jantar e eu tenho receio de gastar dinheiro com outras pessoas neste momento...
Senti-me mesmo muito triste e pequenina.
Faltam 104 dias para o meu casamento.

14/03/2007

Resposta ao desafio

7 coisas que faço bem:
Cozinhar
Ser amiga
Memorizar coisas/datas
Jogar matraquilhos (que saudades!)
Organizar tudo e mais alguma coisa (o B. diz que qualquer dia vai parar dentro de um dossier!)
Trabalhos manuais (desde ponto de cruz, pinturas, fantoches, etc…)
Discutir (lol)

7 coisas que não faço bem ou não sei fazer:
Ter paciência
Não ter stress (sou stressada mesmo!) - Aqui fiz batota
Não sofrer por antecipação (não consigo não sofrer por antecipação) - Aqui fiz batota
Não sei deixar de criticar os outros e a mim própria, sou muito exigente e por isso me canso rapidamente
Cozer por obrigação (prefiro fazer um peluche por desporto do que cozer um botão por obrigação!)
Instalar tudo de novo depois de formatar o disco do computador (não é para mim, mesmo!)
Dizer «Não»

7 coisas que digo:
Eeeexactamente!
Olá, tudo bem?
Bolas pá!
Que coisa!
Cum carelho! (expressão dita pela mãe do meu pai – de Viseu, a mãe da minha mãe – de Alijó dizia «catano!»)
Olha lá…
Isso não se faz…

7 actores ou actrizes:

Bom aqui é difícil… o meu marido diz que sou muito esquisita e que falo mal de toda a gente (lol). Diz que nem sabe como é que casei com ele!
Gosto dos actores dependendo das suas actuações em cada filme…

13/03/2007

Preparativos para o nosso casamento...

O início...29 de Julho de 2001
Domingo


Ontem de manhã, começámos a falar no assunto. Procurámos no calendário de 2002 um dia 24 (porque começámos a namorar num dia 24) que fosse Sábado ou Domingo. Havia um em Maio, dia 24/05/2002 - Sábado (descobrimos depois que o calendário estava errado – só a mim - e era uma sexta-feira).
Á tarde fomos almoçar a X#%& e na volta visitámos a Quinta dos L. (na tabuleta dizia que se faziam casamentos e baptizados. O caminho era agreste e interminável. Nem pensar!
A caminho de casa visitámos a segunda (e última) quinta que conhecíamos. Degradante. Pedimos no entanto para falar com o responsável que se desculpou pelas condições desta quinta, e levou-nos de volta a Palmela a visitar uma outra. Esta sim, em condições!
Mostrou-nos tudo: espaço, mesas, fotografias, cozinha, etc. Ah!, e uma ementa no valor de 12500$00 para menos de 60-80 pessoas ou para 12000$00 para 80-100 pessoas.
Disse-nos que o dia que escolhemos estava livre, por enquanto e que haviam igrejas que só aceitavam marcações para casamentos a partir de Janeiro.
Antes de irmos para casa passámos pelo Novotel. As duas ementas propostas não se comparavam com a que o Sr. F. nos tinha proposto. Ainda por cima era mais caro.
Chegámos a casa e começámos a fazer uma ementa (com várias opções) a partir da papelada que tínhamos, nomeadamente a que a P. me tinha dado quando andou à procura de quintas para o seu casamento que se realizará em Outubro de 2002.

Como estávamos em X#%&, passámos pela igreja de S. Pedro para falar com o padre e saber se o casamento poderia ser marcado. Estava a começar um casamento, era a oportunidade ideal para saber como estava decorada a igreja. O B.o não queria entrar para não incomodar. Fiz com que ele espreitasse pelo menos para ver se gostava da igreja. Foi onde a S. casou em Maio último (agora já tem 2 filhos) e eu já tinha visto várias fotografias. É uma igreja coberta de azulejos azuis, com 3 ou 4 quatro colunas que dividem a parte central dos corredores laterais.
O B. gostou, mas foi impossível, por motivos óbvios, falar com o padre.
Na entrada da igreja estava escrito que o horário de atendimento era às segundas, quintas e sextas das 15-17 horas.
Combinámos que eu iria lá no dia seguinte.

30 de Julho de 2001
Segunda-feira


Antes das 15h já eu lá estava. Nada de padre. “Ele raramente vem à igreja, agora só às 18h que é o horário da missa”, disseram as mulheres da limpeza. “Toque naquela campainha, ou ele está em casa a fazer as orações ou foi ao café. Espere um bocadinho se ele não responder.” Saí de lá já passavam das 15:30h e nada de padre!
Voltei lá às 18h. A missa afinal tinha começado às 17:30h. Esperei que a missa acabasse. Quando a missa acabou, começou a adoração do sacrário (?). Consegui falar com o padre deviam ser umas 19h.
“As marcações de casamentos para 2002 só começam em Outubro”.
OK...

Nota - Quero deixar um miminho a quem me visita... e se houver alguma coisa que gostassem de saber sobre mim, não hesitem em perguntar. :)

12/03/2007

Mais uma

Hoje passei mesmo para deixar uma beijoca...
Este fim de semana os meus pais eram para vir cá a casa. Acho que houve uma discussão entre os dois e ele (o que se diz meu pai) não deixou a minha mãe entrar no carro. Veio só ele arranjar umas coisas aqui em casa (tomadas, esquentador, etc.).
Enfim...
Que pode ela fazer? Sem ordenado, com um marido assim...
Ficou muito triste e chegou a chorar ao telefone quando lhe telefonei, depois do meu pai chegar.
Ando muito cansada e estas coisas só pioram tudo...
Mais uma vez ela não percebeu porque é que ele se chateou. É sempre assim.



10/03/2007

Relação de entreajuda

«Era uma vez um grupo de pessoas que se chamavam: NINGUÉM, ALGUÉM, NÃO IMPORTA QUEM, CADA UM e TODA A GENTE.
Havia um trabalho importante a cumprir e TODA A GENTE tinha a certeza que ALGUÉM se encarregaria de o levar a cabo. NÃO IMPORTA QUEM poderia tê-lo feito, mas NINGUÉM se encarregou de o fazer.
ALGUÉM zangou-se porque se tratava da tarefa de TODA A GENTE.
CADA UM pensou que NÃO IMPORTA QUEM teria podido fazê-lo mas NINGUÉM percebeu que TODA A GENTE não o faria.
Daqui resultou que CADA UM censurou ALGUÉM (não) tinha cumprido a tarefa que NÃO IMPORTA QUEM poderia ter realizado.»

In Bulletin INITIATIVE, Vol. 2. N.º6 (traduzido e adaptado)

09/03/2007

O B. recomeçou a trabalhar

...e trabalha lá até hoje!

29 de Abril de 2002
Segunda-feira

O B. começou a trabalhar na segunda-feira passada depois de estar 5 meses desempregado...
Estou triste ou contente?
O B. já está a trabalhar, cerca de 5 meses depois de ter estado desempregado. Casamos deste Sábado que vem a 8 dias.
Não vamos ter Lua de Mel. Eu posso tirar a Licença de Casamento, mas ele não porque trabalha há pouquíssimo tempo.
Já não vamos para o Brasil...
Nem sequer faço comentários sobre o facto de poder ter um filho a curto prazo. O B. só ficará (eventualmente) efectivo daqui a um ano. Nessa altura já teremos 30 anos e só teremos um bebé aos 31 anos.
Mais uma vez na minha vida, nada vem a 100%!
Lá veio o casamento, mas... Sem a Lua de Mel!

11 de Maio de 2002
Sábado

Casei com o B., finalmente!! Depois conto-vos mais sobre este dia...

25 de Maio de 2002
Sábado


Eu nem acredito que não fui de Lua de Mel...
Tenho passado os dias inteiros sozinha a curtir a licença de casamento. O B. chega por volta das 21 horas, come, vê o episódio da Darma que eu lhe gravei, quanto muito vê o Masterplan e depois quer ir para a cama onde eu vejo sozinha a telenovela “O Clone”.
Já completei 10 dias de licença de casamento, o tempo passou e nada de emocionante e romântico aconteceu. Bom, a não ser os dois ou três jantares mais aconchegantes que eu preparei, depois cansei-me... Cheguei a pôr pétalas na mesa e a servir espumante...
Bom, no meio disto tudo o B. ainda foi jogar futebol de salão com os colegas de trabalho (pela 1ª vez) na quarta-feira passada. Se não fosse eu convidar a R. a vir para jantar comigo, era mais um dia que eu ficava sozinha.

08/03/2007

Pegadas na areia

Muitas vezes foi este poema que me fez levantar cabeça... se calhar sem o entender muito bem.
Acho que o sentimento que tive mais vezes na minha vida foi a injustiça de tudo o que passei...

07/03/2007

Fita da avó

... que inventou um poema na altura

«Gosto muito da minha neta
Desde pequenina
Continuo a gostar porque ela
É mesmo traquina

Gosto muito da Fénix
Muito, muito sem fim
E sempre hei-de gostar
Porque ela também gosta de mim

Queria escrever-te mais um verso
Mas não sei o que hei-de pôr
O que mais te posso dizer
É que te tenho muito amor.»

M. C.

(Tinha nesta altura 76 anos)

Em relação ao comentário da Noquinhas no último post, deixei-lhe o seguinte comentário no blog:

«Olá... Vim dar-te uma palavrinha...Lembrar o passado faz-me viver o presente mais intensamente, dar mais valor ao que tenho e purgar muitas das coisas que até hoje me estão atravessadas... Por mais que tente ultrapassar, tenho muitas mágoas e pensei que talvez assim as conseguisse aliviar um pouco mais.Quem sabe alguém não me ajuda?

Beijocas e volta sempre...

Nota - Sei que há pelo menos uma pessoa que me visita que está a aprender com o que tenho escrito, a ultrapassar muitos dos seus problemas... (pelo menos penso que sim) só por isso já valeu a pena, não é? »

06/03/2007

Fita do namorado

...que por acaso também foi padrinho...


«Sabes que te admiro muito, e faz parte dessa admiração a tua postura perante a vida, os problemas, a maneira como tu ultrapassas tudo isso.
A paixão com que encaras tudo o que fazes faz-me sentir orgulhoso de ter partilhado alguns momentos mais importantes da tua vida.
Não posso deixar de te desejar as maiores felicidades na tua nova carreira de professora. Toma conta dos teus alunos, e faz deles uns homenzinhos e mulherzinhas, mas não deixes o pessoal usar cábulas, mas também não sejas polícia!
Ser professora é uma das profissões mais bonitas, se bem exercida. Lembra-te que podes marcar a vida e o Futuro de muita gente.
A felicidade continua à tua espera ao meu lado! Sempre!
Muitos parabéns!
Beijinhos!
Amo-te!
B.»

Nota - Desculpem a ausência... vou tentar recuperar o tempo perdido.

Beijocas e obrigado por voltarem...

01/03/2007

Benção das pastas e fitas

Fita do padrinho
(Apesar de representado pelo pelo meu irmão, foi o B. que também teve a queima das fitas dele nesse dia e não pôde nem poderia estar presente por causa do meu pai)

«Isto é uma grande, uma enorme responsabilidade, ser teu padrinho de curso, mas também não deixa de ser justo que o seja, afinal quem é que te aturou ao longo destes 4 anos de curso?
Tenho a certeza que irás ser uma excelente professora, e que vais fazer sempre tudo com muito amor e dedicação.
Como teu padrinho só me cabe desejar-te as maiores felicidades do mundo, porque tu mereces, e que consigas sempre aquilo que queres, desde que seja minimamente razoável, como por exemplo sucesso, amor, saúde, paz, felicidade, dinheiro, e muitas coisas boas.
Que a felicidade esteja contigo!
Conta comigo para o que quiseres, o teu desejo é uma ordem!
Vê lá se consegues uma colocação perto de mim!
Milhares de beijos do teu
B.»

Nota - Amigos, estou sem net em casa até segunda-feira. Não posso por isso retribuir as visitinhas. Prometo compensar-vos.
Deixo-vos com dois posts (embora com datas diferentes) e espero voltar MUITO em breve.
Obrigado e um beijo GRANDEEEE.

28/02/2007

Beja - Que recordações?

Lembro-me da S. estar a falar com o professor de Inglês, um “rapaz” com 33 anos durante uma aula e de, em vez de dizer que nós o achávamos um professor flexível, por isso resolvemos convidá-lo para darmos uma aula ao ar livre, apenas disse: “nós achamos o professor bastante sexível…”. O erro até passava despercebido não fosse o T. dizer: “As raparigas é que acham isso os rapazes não…”
Também na aula de Inglês, lembro-me de uma colega que era péssima à disciplina, perguntar o que queria dizer unhapi em vez de unhappy.
Lembro-me também da M. C. dormir em todas as aulas, principalmente na de música. Nós bem lhe dávamos pontapés na cadeira mas não adiantava nada. Foi ele a protagonista de uma cena espectacular na aula de Probabilidades e Estatística.
Enquanto dormia, o professor ia explicando uma fórmula. Às tantas o professor diz: “Não me digam que não sabem a resposta a isto”, depois de algumas tentativas frustadas de alguns colegas, ela acorda e diz: “Não vês que é x+1?”. Foi uma gargalhada geral…
No 1º ano, tivemos um professor de português que parecia saído da Ilha da Fantasia, só faltavam as camisas coloridas e os colares de flores. Usava sempre calças brancas (quem sabe se não eram sempre as mesmas), parecia só cortar o cabelo de 6 em 6 meses, as piadas faziam morrer os mortos e não sabia dar aulas (nem sequer sabia o que dar).
No primeiro dia de aulas, olhou para nós e como éramos da área de matemática, lá pensou que não sabíamos escrever ou que éramos deficientes e pediu-nos: “Na próxima aula quero que me tragam uma composição sobre o 8 e o infinito.” Tive um colega, o H. que apenas escreveu que, como o símbolo matemático do infinito é representado por um 8 deitado, esse mesmo símbolo era um oito alentejano.

27/02/2007

Aula assistida e outros

19 de Março de 1996
Terça-feira
Dia do pai (Qual pai?)

A F. deu hoje a primeira aula de Ciências – O Aparelho Reprodutor Feminino. Como não podia deixar de ser, apareceu “o terror” (o tal que tem 16 anos e ainda anda no 6º ano). Já devia ter ouvido falar do tema das últimas aulas e não quis deixar de dar a sua contribuição. Para tal, trouxe três revistas pornográficas. Acho que dispensa comentários, a aula passou a “girar” em torno dele… Nem o professor M. o conseguiu acalmar dizendo que era cinturão castanho em Karaté.
“Descobri” numa revista um texto que gostei muito e que vou, em parte, transcrever:

Gostar acima de tudo

Os amigos nunca são para as ocasiões. São para sempre. A ideia utilitária da amizade, com entreajuda, pronto-socorro mútuo, troca de favores, depósito de confiança, sociedade de desabafos, mete nojo. A amizade é puro prazer. Não se pode contaminar com favores e ajudas; leia-se: dividas. Pede-se, dá-se, recebe-se, esquece-se e não se fala mais nisso. (…)
Os amigos têm que ser inúteis. Isto é, bastarem só por existir e, maravilhosamente, sobrarem-nos na alma só por quem e como são. O porquê, o onde e o quando não interessam. A amizade não tem ponto de partida, nem percurso, nem objectivo. É impossível lembrarmo-nos como é que nos tornámos amigos de alguém ou pensarmos no futuro que vamos ter. (…)
Os amigos não se perdoam nem se julgam. Têm-se ou não se têm. Falam. Gozam. Riem. As diferenças entre eles unem-nos, ocupam-nos, divertem-nos – a única igualdade necessária, a de serem amigos, já existe. (…) Estas são as pessoas que se invocam, estejamos sozinhos ou acompanhados pelos amigos como se fossem. E são.
Cardoso, Miguel Esteves; “Explicações de Português”; Revista Vida – Independente; 1 de Março de 1996.

26/02/2007

Prática Pedagógica

28 de Fevereiro de 1996
Quarta-feira


Na altura das Práticas Pedagógicas (dar aulas enquanto somos avaliados) ninguém bate bem, acho que nem nós enquanto alunos nem os nossos professores que nos avaliam, dada a sobrecarga de trabalho. Nós demos aulas e tivemos aulas o que não acontecia com outros cursos via-ensino noutras universidades…
***
A caminho de casa “discuti” coma dona da papelaria por ainda não terem chegado os fascículos da colecção «Minerais» que me faltam.
Parou um carro ao pé de mim para me perguntarem: “Isto é Beja, não é?”
Não respondi.
Seguiram-se uma série de buzinadelas dos carros que estavam atrás do primeiro.
Mais à frente há outro carro que abranda. O condutor disse qualquer coisa do género: “Eh, carapau!”
Isto está a correr muito bem.
Há outro dos três professores que ainda não pegou nos nossos exames…
Tive 17 valores a Informática, mas o professor ainda não (esqueceu-se) avaliou o segundo trabalho – além de estúpido é anormal!…
É impossível manter uma conversa racional com alguém da minha turma. Encontrei o Pedro num corredor da escola que me disse:
“Vou dar os transportes, tenho que utilizar os corantes, não é?”
(????)
“O quê?” – perguntei.
(repetiu)
Depois de me sintonizar, adivinhei que ele estava a falar nos transportes desde a raiz até ás pétalas das flores (seiva bruta), e que era necessário usar corantes para provar isso.
“Sim, sim” – disse eu.
Virei-me para ver se avistava um professor (qualquer um, tal era o desespero), e quando me voltei para lhe fazer uma pergunta…o Pedro tinha desaparecido!
Voltei a encontrá-lo uns minutos mais tarde:
“Quanto é que custa um cravo? Preciso de cravos, cravos brancos.”
(????)
“Não sei, mas sei que as rosas não são muito caras…”
Trinta minutos mais tarde, encontrei-o à entrada da escola com uns cinco cravos brancos…
Foi então que se fez luz… Entre a minha preocupação em encontrar a professora A., a professora T., a professora M. e o compreender o que o Pedro queria, “descobri”:
“Ah! Os cravos são para a experiência não é? Vais colorir as pétalas do cravo mergulhando o caule num copo com água corada?”
“Claro! Pensavas que eram para ti? Quer dizer, podiam ser, mas…”
“Não…” – respondi, mas ninguém estava a ouvir, já estavam todos sintonizados noutra estação qualquer, e já tinham o radar a trabalhar para encontrar professores.
Fiquei a saber que os nossos professores têm horários sobrepostos. Por exemplo: Assistir à aula do aluno x e do aluno Y, à mesma hora e em escolas diferentes. Um destes alunos não vai ser avaliado, normalmente, aquele cuja escola em que está a leccionar fica mais longe… Que raiva! Que falta de organização…
Já tenho o nome de três ou quatro professores, eu odeio este tipo de coisas, mas só se safa quem pode… e pode ser que não seja necessário chateá-los em casa…
***
Felizmente nunca foi preciso telefonar para casa de nenhum como fizeram montes de colegas.
Acho que apesar do desespero, o professor tem que ter o seu espaço e não ser chateado fora do horário lectivo...
Houve tanta gente que se aproveitou disso para dar graxa...

25/02/2007

A aula


8 de Março de 1996
Sexta-feira


O T. saiu daqui agora. Disse que a aula foi um fartote de rir. Os miúdos não sabiam os termos científicos e então utilizavam o calão:
Pergunta do T.: “Alguém sabe como se chama esta parte terminal do pénis?”
Resposta: «é a cabeça, é a cabeça (…), cabecinha pensadora…»
Mais tarde o T. mostrou o painel e perguntou: «Para se dar o acto sexual, o pénis fica assim (flácido), ou é necessário haver alguma alteração?»
Resposta: «Ah! Ás vezes fica assim..» – disse um matulãozinho que já devia ter uns 16 anos.
O T. contou-me que o professor que foi assistir à aula se fartou de rir, e que o professor da turma chegou a levar a mão à cara.
Outra coisa que ele me contou, foi que chegou a ouvir os miúdos a dizer asneiras baixinho, as tais palavras em calão. Disse-me também que havia uma miúda que ficava histérica sempre que ouvia uma palavra do género: erecção. Teve que a sentar na fila da frente. Fiquei admirada quando me contou que os miúdos não sabiam o que era e nunca tinham “visto” espermatozoídes. Quanto a mim, vamos lá ver o que me espera…
Para melhor me preparar para dar a aula, resolvi ir assistir à aula da N., que também ia falar sobre o mesmo assunto. Fiquei a «saber» que:
«A fecundação é baby sitting»;
«A reprodução é feita com um pénis e uma Virgínia».
Finalmente dei a minha aula. A turma não parecia a mesma, faltou o «palhaço» da sala. Podiam até ouvir-se as moscas…
A aula não correu mal, tirando o burburinho constante e o facto de ficarem todos muito sérios a olhar para mim enquanto eu falava (principalmente o que tinha 16 e o que tinha 17 anos). Cheguei até a pensar que isso se ia reflectir na minha avaliação desta aula uma vez que os miúdos não participavam muito, pelo menos no princípio.
O B. acabou agora de fazer uma cena de ciúmes ao telefone, porque lhe contei que tinha sugerido ao T. que se ele não encontrasse um painel do sistema reprodutor masculino, em último recurso, sempre poderia projectar o seu próprio aparelho reprodutor no projector de opacos.
Perguntas que os miúdos me fizeram:
«O que é o esperma?»
«O que é a erecção?»
«O que são os pelos cúbicos

24/02/2007

O órgão reprodutor masculino - preparação da aula

Apesar de ser longo vale a pena ler este post.
Trata-se da preparação da primeira aula a ser dada no 2º ciclo (vou ser avaliada). Como seria de esperar uma coisa diferente (tudo me acontece) é sobre a reprodução humana - aparelho reprodutor masculino.
Podiam ter-me calhado as plantinhas, os animaizinhos, ou mesmo as rochas... mas não. Tinha que ser isto!

7 de Março de1996
Quinta-feira


Combinei encontrar-me com o T. na escola dos miúdos às 11:30h, eu procurei na parte da escola em que ele não estava e ele vice versa. Encontrámo-nos num corredor já com expressões de desespero. Trocámos ideias sobre como leccionar a aula sobre a reprodução.
Como não sabíamos se a nossa escola tinha painéis sobre este conteúdo, e não encontrámos no sítio onde deviam estar na escola dos miúdos, resolvemos perguntar ao contínuo.

Resposta: “Mas há lá na sala de arrumações de ciências, não viram? Têm lá o espanta pardais!” (???).
É claro que não percebemos o que é que ele nos queria dizer, será que ele se referia ao esqueleto a três dimensões? Bem, de qualquer maneira não sei onde é que ele viu o aparelho reprodutor num esqueleto… Depois desta resposta inteligente, mandou-nos falar com outra auxiliar da educação.

“Hã?” – respondeu ela. Depois, m-u-i-t-o d-e-v-a-g-a-r-i-n-h-o l-e-v-a-n-t-o-u—s-e e dirigiu-se à sala de ciências da natureza, onde encontrámos tudo menos o que queríamos. Até vimos um painel que representava o ciclo de vida de uma amêijoa.
Como já era tarde resolvemos almoçar primeiro numa Hamburgaria. Estávamos a discutir a função da próstata, quando reparámos que havia muita gente a olhar para nós. Resolvemos comer primeiro.
Posteriormente fomos à Biblioteca Municipal e vimos três filmes (em fast forward) sobre a reprodução. Estavam umas empregadas atrás de nós que, em vez de se “tocarem” e falarem mais baixo, não, falavam cada vez mais alto. Como nós não conseguíamos ouvir, pusemos o som mais alto, consequentemente, elas falaram mais alto. Apenas se calaram uns segundos quando ouviram a seguinte frase sair da televisão: “dá-se a intumescência do órgão”
Seguidamente fomos à secção dos materiais didácticos para professores, perguntámos à empregada o que havia sobre o aparelho reprodutor e ela foi buscar a caixa dos “bonecos a três dimensões”. É claro que ficámos com uma enorme vontade de rir, mas apenas mostrámos cara de parvos (mistura entre rir e espanto). Afinal, o que ela andava à procura era a caixa dos slides (que tinham sido requisitados).
Como ainda não tínhamos o bendito painel, acabámos por ir à universidade. Encontrámos um bom painel. Então ele ingenuamente perguntou: “Este está bom para ti?” (Este painel e não este tamanho de órgão reprodutor). Quando eu ia a responder ouviram-se as gargalhadas estridentes da São (responsável pelos laboratórios e pela requisição de material didáctico). Começámos todos a rir.
Estávamos muito carregados: fotocópias, livros, grelhas… E agora mais o painel entrámos na fase do “quem é que pega nisto?”. A São continuava a rir-se que nem uma desalmada.
Estou curiosa para saber como lhe vai correr a aula, a minha deverá ser mais ou menos a mesma coisa uma vez que as planificações são iguais. Será que os miúdos vão gozar muito? Ele ainda me perguntou se eu queria ir assistir à aula dele amanhã de manhã, mas não estou para me levantar cedo, aliás porque na Sexta-feira á noite quero estar fresquinha para o meu amor.
Foi engraçado trabalhar com ele, ainda por cima sobre este tema, fartámo-nos de rir.
Com isto tudo, fiquei farta de ver pénis em slides, imagens de televisão, figuras de livros, painéis, etc. Pelo menos tão depressa não me esqueço das funções de cada órgão que constitui o aparelho reprodutor masculino.

23/02/2007

A saga continua...

5 de Dezembro de 1993
Domingo

De manhã fui às compras, cheguei a casa eram 11:00h. Passei pelo Alexandre, estava com uma cara muito triste a olhar para o telefone. Perguntei-lhe se estava chateado e ele respondeu “São as mulheres, não sabes como são as mulheres?”. Fui para o quarto, afinal o problema era dele…
Mais tarde fiquei a saber que ontem à noite, quando ele foi à discoteca com as minhas meias e a Sandra, enquanto ela foi à porta ver se o taxi já tinha chegado, ele atracou-se aos beijos com outra.
Não percebi muito bem, mas como Sua Majestade “O Cagalhão” que não pode com o cu, telefonou à namorada para vir cá a casa para fazerem as pazes. O mais ridículo no meio disto tudo, é que ela veio. Acabaram por fazer as pazes.
Á noite voltou tudo ao normal, ele voltou a berrar com a avó e a discutir com a namorada. Ele há cada um!…

6 de Dezembro de 1993
Segunda-feira


Não aconteceu nada de especial hoje.
De manhã telefonei ao Bruno (a melhor parte do dia) até acabar com o cartão telefónico. Telefonei-lhe da escola.
À noite voltei a jantar aqui em casa. Depois da novela (e como sempre) a velha e surda Bia, vai baixando a cabeça até ficar com a testa apoiada na mesa. Nessa altura, a Dona Maria Augusta levanta-lhe descontraidamente a testa e põe-lhe uma almofada, na qual ela enterra o nariz.
O Pinóquio (cão) é outro problema, ressona muito alto. De vez em quando também dá traques... É uma corrente de ar aquele cão! Tenho de me levantar várias vezes para aumentar o som da televisão.

7 de Dezembro de 1993
Terça-feira


Amanhã é feriado.
Hoje fui almoçar fora, também mereço, afinal também pago impostos.
O estúpido do empregado de mesa era muito branco, tinha muita brilhantina e aparecia-me à frente de repente, como se se materializasse. Assustei-me pelo menos umas duas vezes. De uma delas ia deixando cair a travessa ao chão, da outra vez, com o susto, bati com o garfo e com a faca no prato. Parecia um concerto!
Tive hoje pela primeira vez Movimento e Drama. Nesta disciplina o objectivo principal é fazermos figura de parvos. Hoje, gritámos, batemos com as mãos nas paredes, rebolamos no chão, enfim…

9 de Dezembro de 1993
Quinta-feira


Ontem estudei o dia todo. Hoje tive uma frequência de matemática. Até agora só tive 2h de aulas desta disciplina e nem sequer foram de revisões.
Felizmente correu-me bem, tenho mais de metade certo. Não levei cábulas, embora todos o tivessem feito. Quando faltou a luz durante quase cinco minutos foi uma barulheira insuportável. Comi uma tosta mista e bebi um galão ao almoço. Reparei como as empregadas apenas lavavam as mãos para mexer no dinheiro. Afinal, é aborrecido pegar nas moedas e nas notas com os dedos cheios de migalhas.
Durante a hora teórica vimos slides. Na hora prática fizemos aquecimento ao som de música de discoteca e depois dançamos folclore. Foi preciso entrar na universidade para dançar folclore!
Jantei em casa. Estudei Geometria para a frequência de amanhã até à meia noite. Estou completamente K.O. Nunca mais vi as minhas meias.

Eu realmente, quando olho para trás... não sei como consegui acabar o curso e muito menos acabá-lo em 4 anos... (não sou nenhuma heroína mas que custou, CUSTOU!)

Uma pessoa que passou por tanto em casa, não poderia ter ido parar à casa de uma família normal para poder tirar o curso com calma (apesar da pressa)?

Lembro-me de ter «falado» ao meu pai da hípótese de mudar de casa ao que ele respondeu qualquer coisa como: «Pois tu queres é andar à vontade, sem ninguém te controlar... nem penses!»

Consegui no entanto mudar de casa no ano lectivo seguinte (se não me engano), quando os gemidos nocturnos do Alexandre e da namorada se começaram a fazer ouvir...

22/02/2007

Terceiro dia em Beja

4 de Dezembro de 1993
Sábado


Levantei-me eram 10:30h. Quando fui tomar o pequeno almoço, ouvi o Alexandre a discutir com a avó na cozinha. Quando lá cheguei vi aquele cagalhão de boxers (horrível, ia vomitando) e de T-shirt.
Conclusão: Quando vem visitar a avó não trás roupa, depois quer que ela invente umas meias.
O mais engraçado é que sobra sempre para mim: “Olha Miguel, se a Nadine (não sei onde é que ela foi buscar este nome!!!), tiver umas meias que te empreste, e te sirvam…
O que é que eu podia fazer? Ela ajudou-me (contra a minha vontade) a desfazer as malas…Sabia que eu tinha meias. Aqui a desgraçada teve de lhe emprestar umas meias brancas, novinhas. Só a mim é que me acontece disto! Que mais me irá acontecer?!…
Antes do almoço fui com a Dona Maria Augusta comprar uma saco desportivo, pelo menos pensava eu…
Assim que chegámos a casa pedi-lhe se podia telefonar para Lisboa de casa dela, depois de eu lhe ter trazido as compras, ela não ia negar. Sempre que falo com ele é revigorante…
A namorada do Alexandre estava lá em casa. Aqueles dois são incríveis, batem-se, beliscam-se, estalam os dedos um ao outro, chamam nomes um ao outro… Por falar nisso, eles tratam-se por “bicho”. Como estamos no Alentejo, o som do último ó é arrastado.
Ela: “Então bicho, vamos ou não?”
Ele: “Vou telefonar primeiro ao meu pai. Queres falar com ele bicho?”
Eu até pensei que estava a ouvir mal…
O que me chateia é que aquele camelo vai para a discoteca com as minhas meias.
A parva da gata já me arranhou outra vez, e não é preciso muito, basta só passarmos por ela.
No outro dia a Dona Maria Augusta disse-me que o Joaquim estava enterrado no quintal. Até fiquei gelada…Afinal era o cágado que tinha hibernado!
Neste momento estou no meu quarto sentada na cama. Ao meu lado esquerdo está um poster de 2m de altura por 1,5m de largura do Alien 3 – A desforra, em que aparece a Sigourney Weaver a quase ser beijada por aquele monstro todo babado e com duas dentaduras. Esta gente não regula bem…
Eu não quero saber se o falecido marido dela tenha sido deputado, que ela já tenha pago 30 mil contos de indemnizações durante o 25 de Abril aos 150 empregados que tinham, eu nem sequer cá estava!
Se o avô dela, teve uma fortuna colossal de 600 contos, e se o pai dela morreu com 101 anos, eu sinceramente estou a cagar-me para isso!
Se o Alexandre vai tirar um curso na Bélgica durante 15 dias, ainda este mês, melhor para ele, assim não chateia ninguém.
Se ela já foi à Itália, França, América e mais não sei onde, bom para ela.Onde eu me vim meter…
Eu só quero acabar o curso... e TENHO PRESSA!

21/02/2007

O segundo dia de aulas (1993)


3 de Dezembro de 1993
Sexta-feira


Levantei-me à hora prevista, mas só consegui tomar banho às 9:00h. Entretanto, tive bastante tempo para pensar no que me disseram ontem à noite algumas colegas, no caminho para casa: segunda-feira, frequência de Morfologia e Fisiologia Vegetal, quinta-feira de matemática, e já nem sei as outras. Ontem à noite, contei isso ao B. no telefonema que lhe fiz. Ele disse que me telefonava amanhã às 10:00h ou às 22:00h.
Bebi um copo de leite com cacau, ou seria um copo de cacau com leite? Saí de casa eram 11:00h.
Que bom, na minha escola só tiram fotocópias de folhas separadas, e na escola ao lado, só tiram fotocópias de livros da biblioteca de lá. Tenho de entregar os cadernos que me emprestaram, hoje, pois um deles é de Morfologia e Fisiologia Vegetal. Foi um desespero total!
Eram 11:55h. Resolvi que não ia almoçar para poder fotocopiar os dois cadernos algures. Fui ao centro da cidade. Quarenta minutos depois estava de volta, cheia de fome, com umas fotocópias escuras e menos dinheiro no bolso. Estava estafada pois vim a andar bem depressa.
Não houve aulas. Faltaram as fotocópias dos apontamentos ao professor. Fomos dispensados nessas duas horas. Pelo menos adiou a frequência para dia 7 de Janeiro. Teremos no entanto, uma aula suplementar no dia 13 deste mês.
Nos 30 minutos seguintes choveram cadernos e folhas para fotocopiar. Cerca de 2,5 Kg de apontamentos.
Fui ao Centro Comercial fotocopiar três cadernos, deixei as folhas soltas para fotocopiar na escola, deveria ser mais barato. Uma hora depois estava de volta (novamente), juntamente com os seis desgraçados que foram comigo.
Entreguei os cadernos e descobri que haviam folhas simples que tinha de entregar já. Dirigi-me à reprografia da escola, mas o cavalo que trabalha lá, saiu mais cedo.
Também não tive as duas horas seguintes. A professora faltou. Como ainda não tínhamos professora de português, não teríamos também as duas últimas horas.
Sem almoçar, aceitei boleia de um mini que custou 100 contos, mas que eu não dava mais de 5 mil escudos. Fomos novamente ao Centro Comercial fotocopiar as folhas que faltavam. Com dois meses de carta ela conduzia «esquisitamente», ou então era do carro…
Tirei as benditas fotocópias e entreguei-lhe as folhas. Foram-se embora (a dona do carro e a dona das folhas), enquanto eu esperava que me fotocopiassem o novo carregamento de apontamentos. Não queria nada ter de lá ir novamente amanhã.
Com menos 4.500$00 (ao todo) e depois de 1h de esforço no caminho, fui para casa e rasguei a senha do jantar.
Eram 17:15h. Morri mais uma vez quando tive de tirar os quilos de folhas da mala. Deitei-me um pouco para me recompor. Bebi 7,5dl de leite e comi um pão com queijo. Rico almoço e a boas horas…
À noite comecei a passar o caderno de Geometria. O B. não me telefonou de manhã. Estava ansiosa para que fossem 22:00h.
Chegou o Alexandre (neto da Dona Maria Augusta – senhoria) com a sua carrapeta loira (Sandra). Berrou com a avó. Foi tomar banho. Berrou com a Sandra para ela lhe escolher a roupa que ele queria vestir. Jantámos todos, a Sandra também.
Convidaram-me para sair às 21:40h e eu disse que não. Primeiro estava em coma, depois estava a passar o caderno e depois queria falar com o meu homem.
O B. telefonou eram 22:05h. foi relaxante ouvi-lo a dizer que já tinha caído “um colhão de períodos” (na cabine, lol). Eu acredito. Ontem caíram só 30 quando falei com ele. Vivi ou revivi quando ouvi a sua voz a dizer “amo-te”. Finalmente uma boa notícia: vêem duas cartas a caminho. Fiquei de lhe telefonar amanhã.
Amanhã tenho de comprar um saco desportivo. Amanhã tenho de comparar uns cadernos, os que trouxe são minúsculos. Amanhã…
Espero que o amanhã me corra melhor que hoje. Neste momento só tenho a certeza de duas coisas:
1ª - Se isto continua assim, não chego ao Natal.
2ª - E a mais importante…amo o B.

20/02/2007

Só a mim... (1993)

2 de Dezembro de 1993
Quinta-feira


Beja. Horas antes de começarem as aulas. Levantei-me eram 8:20h, 10 minutos antes do despertador tocar. Sentei-me na cama e acendi a luz, nem sabia onde estava. Reparei que na mesa ao canto do quarto estava um prato com dois iogurtes de pêssego e um com cereais. Até agora, nada a reclamar do “serviço de quartos”.
Quando ia a sair do quarto para ir à casa de banho, fiquei com o puxador na mão. Óptimo.
Já na casa de banho e depois de lavar os dentes e a cara, verifiquei que o autoclismo estava sem água, ao abrir a torneira respectiva, fiquei novamente com a mesma na mão. Deve fazer parte da tradição da família.
Depois de pronta e de comer apenas o iogurte com cereais, resolvi ir à escola ver o horário. “Entrei” pela porta errada, ou pelo menos tentava entrar quando o contínuo me fez grandes gestos para contornar o edifício. Depois de andar 3 Km, entrei e subi as escadas laterais onde me haviam informado ontem que estariam afixados os horários. Iria ter aulas à tarde. Até agora nada de novo a não ser o nome das disciplinas por extenso. Eram agora 9:10h.
Localizei as salas onde iria ter aulas e fui à escola ao lado comprar a senha de almoço. Como também era nos Serviços Sociais dessa escola que tinha que entregar papelada, resolvi fazê-lo. É claro que comecei bem: depois de espalhar umas 20 folhas em cima do balcão, pedi à empregada para escolher. Faltava o reconhecimento de uma assinatura, um papel e um carimbo das finanças.
Cada vez melhor, agora só tinha de percorrer metade da cidade e colocá-los no correio para os devolver aos meus pais.
Bem, já que faltavam estes papéis necessários para a inscrição para a Bolsa de Estudos, talvez fosse melhor ir primeiro à secretaria da minha escola entregar os restantes papéis relativos à matrícula, não fossem faltar mais alguns. A secretaria ficava para lá dos correios.
Cinco horas depois, consegui chegar lá sem me enganar no caminho. Novidade das novidades, havia sido transferida para as instalações da minha escola nesse dia.
Bem, já que ficava em caminho, fui como tinha programado, aos correios. Depois de seis tentativas, consegui finalmente fazer a ligação telefónica para casa para avisar o agregado que iam papéis, assim o meu pai poderia mandar a criada (minha mãe) tratar deles…Seguidamente telefonei à minha senhoria, Senhora Dona Maria Augusta, dona da vivenda onde (também) durmo, para lhe dizer que as aulas começavam às 12:40h, e se me poderia preparar o almoço a tempo. Claro que podia. Para isso lhe são pagos 35 mil escudos todos os meses.
Já que estava perto da biblioteca resolvi levantar o cartão de leitor e, depois de metade dos funcionários da biblioteca andarem à procura dele, descobriram-no junto dos outros que estavam nas mesmas condições. Inteligentes estas pessoas…
Resolvi ir dar uma vista de olhos às prateleiras e tive a brilhante ideia de escrever uma carta ao meu amor. Eram agora 11:30h. Já era hora de ir, faltavam só 2 Km para chegar a casa, resolvi parar no banco Nova Rede. Cheguei lá a muito custo pois a mula não conseguia andar mais depressa. Sentei-me (finalmente), e um anormal de fato com uma voz muito simpática, pediu-me desculpas e pediu-me para esperar um pouco que já me atendia. 15 Minutos depois (a sério), começou a atender-me, eram então 12:10h. Concluindo, a caderneta de cheques chegava a “casa” uma semana depois.
Voei para casa, enganei-me uma vez no caminho e fui dar a um beco sem saída, uma rua antes. Voei para a escola praticamente sem comer porque a sopa estava em ebulição. Comi apenas os restos do jantar de ontem.
Entrei na sala eram 13:05h (começaram às 12:40h). Para quem preferia ser discreta, acertei em cheio.
Deparei com um professor que falava com a boca toda aberta, magro e com bigode. Foi ele quem me abriu a porta.
Será que eu estava na sala certa? E se a minha turma mudou de sala? O quadro estava cheio de macacos escritos.
Ele estava a falar na educação grega. Pelo sim, pelo não tirei apontamentos. Vim a saber mais tarde que não havia apagador e os macacos residiam lá desde cedo.
Quando acabou a primeira hora de história da Pedagogia por volta das 13:15h, fui falar com o professor. Concluí pelo que ele me disse que já tinha perdido matéria considerável. Apesar disso senti-me com sorte pois não houve aulas durante mais ou menos um mês. A escola mudou para estas novas instalações. Daí a secretaria ter sido na outra ponta de Beja.
No início da segunda hora houve uma rapariga que me pareceu familiar que “gritou” enquanto acenava: “Fénixxxx…” . Retribui o adeus mas não sei onde é que já a tinha visto. Mais tarde ela disse-me que andava na mesma explicadora do que eu perto da casa dos meus pais. Era a S. Balala (uma vez estimou o comprimento do pénis do namorado metendo uma régua na boca!).
Durante estas duas horas de aula e de vez em quando, havia uma miúda bonita com voz de homem que dava palpites à laia de “sou capaz de acertar em alguma coisa se falar muito”. Mais tarde fiquei a saber que era a Sílvia e que ela era mesmo assim.
Durante as duas horas de Psicologia da Aprendizagem vimos o filme “L´Enfant Sauvage”.
Em Expressão Motora (ginástica como lhe chamávamos no liceu) tivemos duas horas teóricas. Fiquei a saber que iríamos ter na próximo aula duas aulas práticas. Vim para casa mais morta do que viva.
Mais tarde jantei com a Bia ou Bá (resumidamente, foi a ama da minha senhoria e pertencia ao jurássico), a Dona Maria Augusta (nunca percebi se Dona fazia mesmo parte do nome), o Pinóquio (cão) e o Vasco (gatA), que saltava de vez em quando para cima da mesa e ocasionalmente para dentro de um prato.
Depois de alguns arranhões na mão direita e de ver a telenovela, fui-me deitar na minha cama de casal em pau preto, dura e a 1,50 m do chão.
Foi um dia que correu muito bem, aliás como se pode ver. Amanhã vou levantar-me às 8:30h para tomar banho e fotocopiar na escola dois cadernos que me emprestaram. Bom, de qualquer maneira tinha que ir para lá cedo pois ia ter que almoçar (e jantar) à outra escola.
Dormi como uma pedra.

Amigas... vocês não imaginam as coisas que me aconteceram em Beja. Eu queria apenas tirar o curso o mais rápido possível!

19/02/2007

Mais um pouco sobre mim (Abril de 1992)

17 de Abril de 1992
Sexta-feira Santa
Feriado


Mais um dia que vou ficar fechada na vivenda. Os meus pais vão para a loja amanhã mas eu não tenho o direito de escolha, enfim, dizer onde quero ficar ou para onde quero ir...
Combinei telefonar ao B. às 11:30h. Não me canso de dizer que adoro aquele rapaz. É com ele que quero viver, casar, ter filhos, passar férias, etc. Já não consigo viver sem ele. Preciso muito dele e de o sentir perto de mim.
Por vezes sinto que se não fosse ele, eu não teria paciência para lidar com todos os meus problemas. Ele dá-me apoio e sabe como fazer sentir-me melhor. Eu sei dar-lhe o valor que ele merece. Já sofri bastante por nunca me darem valor nenhum.

21 de Abril de 1992
Terça-feira


No Sábado passado sempre consegui ir para a Amadora. Estive com ele.
O L., a S., o N. F., o A., etc., foram para a Madeira e só vêm no Sábado. Eu não fui. Não posso ausentar-me da loja, quanto mais de Portugal Continental, nem que seja para ir à viagem de finalistas…

22 de Abril de 1992
Quarta-feira


O B. e o J. foram ter comigo à loja. Eu estava cheia de dores de estômago. O B. abraçou-me para me confortar. O seu abraço é envolvente. Transmite confiança e protecção. Nem sei como tive a sorte de namorar com um rapaz como ele. È o melhor namorado que uma rapariga pode ter, e é meu!
Quero passar a minha vida a seu lado. Quando formos velhinhos, podemos comprar pantufas iguais, ir para o mesmo lar e babarmo-nos juntos. Eu adoro-o, gosto tanto mas tanto dele que nem sei de onde vem tanto amor, tanta devoção, tanta força de vontade para “lutar” contra os meus pais, para poder ficar com ele, nem que seja apenas cinco minutos. Posso é morrer de ansiedade, mas morro feliz!
Eu nem acredito que tenho saído todos os dias com ele, eu não esperava tanto destas férias!
Encontrei a outra parte da minha laranja…

3 de Maio de 1992
Domingo


Daqui a 21 dias fazemos sete meses de namoro. É pena ser um Domingo, não vou poder estar com ele.
Eu amo-o tanto que não sei como vai ser para o ano, ele na universidade e eu no liceu. Duvido que ele tenha tempo para mim…
Já não consigo passar um dia sem pensar nele pelo menos 5000 vezes.
No outro dia disse-me que casaríamos no ano 2000 ou então, casaríamos antes e faríamos um filhote no dia 31 de Dezembro de 1999.

Acabámos por casar e ser pais, mas não nestas datas...

18/02/2007

Vou finalmente tirar um curso! (93-97)

Como fui lá parar:

Na primeira época (Julho) concorri para Psicologia, para a universidade estatal e particular. Não entrei. Lembro-me do B. andar a ver as pautas comigo e a repetir «deve haver aqui algum erro...». O meu pai só me dizia entre coisas muito piores e com muitas asneiras pelo meio, “pensas que eles querem lá burros?”.
Na segunda época (Setembro), concorri para as poucas vagas que haviam. Uma das que me interessava e estava relacionada com a minha área (ciências), foi a de Professores de Matemática e Ciências. Concorri. O critério de preferência na escolha das várias universidades com vagas para este curso foi a da distância à minha casa.
Primeiro as mais próximas: Beja, Évora, Portalegre, e mais três de que não me recordo.
Depois de saírem os resultados, só tinha três dias úteis para me inscrever na universidade em que tinha entrado. Os resultados saíram inesperadamente cerca de cinco dias mais cedo. Ninguém estava à espera.
Foi graças à S. que me pude ir inscrever. Ela passou por lá e telefonou para a loja. Foi a minha mãe que atendeu. Eu tinha entrado para Beja, haviam apenas três vagas para o Curso de professores do ensino básico. Quando cheguei da rua, a minha mãe ainda estava a chorar. Pensei que tinha morrido mais algum velhote do lar aqui ao lado. Foi a custo que consegui compreender o que dizia. Não tenho a certeza se o B. tinha chegado comigo, mas lembro-me de ele me dizer «eu sabia que ias conseguir entrar».
Fui à tipografia (cave) dar a notícia àquele que se intitula meu pai. Lembro-me que ele estava a cortar papel na guilhotina automática.
(…)«só tenho três dias para me inscrever, tenho de ir a Beja» (…)
Ele não foi capaz de dizer uma única palavra. Nem sequer olhou para mim…
Dois dias depois (Domingo), fomos a Beja, eu e o meu pai, ele estava (como sempre) chateado com a minha mãe. Não falavam. Levei logo as malas. As aulas já tinham começado em fins de Setembro, princípios de Outubro.
A despedida do B. foi muito dolorosa para nós. Chorei muito.
Em Beja qualquer indicação que pedíssemos ia dar ao Jardim do Bacalhau. Demos duas voltas à cidade até encontrarmos a universidade.
Afinal tinha mudado de instalações. As aulas só começariam em Dezembro. Para mim foi muito bom. Tive tempo para me mentalizar.
Depois de tratarmos de alguma papelada fomos procurar um sítio para eu “morar”. Não encontrávamos anúncios e ninguém sabia de nada. Vimos duas freiras e o meu pai teve a “feliz” ideia de lhes perguntar se conheciam alguém que alugasse quartos a estudantes. Levaram-nos a duas casas, na primeira já não havia quartos portanto, fiquei na segunda.
Trinta e cinco mil escudos com refeições. Seria a Dona Maria Augusta que trataria delas. Voltámos para casa. Penso que os dias seguintes (4 ou 5) foram os únicos dias em que o meu pai mostrou algo parecido com orgulho, embora não tivesse nada a ver com esse sentimento, primeiro porque ele não tem sentimentos, depois porque ele não sabe o que é ter orgulho. Repugna-me que tenham sido necessários vinte anos para ele demonstrar isso. Espero sinceramente não ter de voltar a sentir o que senti.
A família toda, incluindo a minha avó, foram levar-me a Beja dois dias antes de recomeçarem as aulas. Só lá voltaram no dia da Benção das pastas em 1997.

Sim, acabei o curso em 4 anos!!!!!!


Amanhã publico coisas mais alegres, prometo!
Aliás tudo o que é «cromo» sempre veio ter comigo... lol

17/02/2007

Dia em que o meu pai conheceu o B. (continuação)

Deixei sair a cliente, deixei passar alguns minutos, e desci para a tipografia. Lembro-me de dizer:
Ele já chegou. Como é que fazemos sobes tu, ou ele desce? - perguntei eu.
Já está lá em cima? - perguntou o meu pai.
Já.
É melhor ele descer...
Agora estava mesmo nervosa...
Lá em baixo, o B. disse:
Posso entrar Sr. A.?
Entre.

Este é o B., este é o meu pai. – Fiz as apresentações formais.
Começou o B.:
Bom, eu vim aqui para falar consigo, quis vir conhecê-lo.... Não é uma boa altura, mas aproveitámos o facto de eu ter tido folga e de ela ter cá vindo...Já nos conhecemos há muito tempo, desde os tempos do liceu...Resolvemos tirar os cursos, ela foi para ****, eu tirei o meu curso em *****, ficámos bastante tempo sem nos vermos...Encontrámo-nos em **** por acaso, eu tive que lá ir tratar de umas coisas com o chefe de secção de lá... Tenho 27 anos, sou 3 meses mais velho que ela...
Se o visse na rua já não o conhecia, está diferente...(pois claro, entre outras coisas, já não usa óculos porque foi operado)... Tem de fazer também uma operação por causa do cabelo, já tem pouco aí à frente...Quais são as suas intenções...Eu tive de bater na minha mulher quando me casei, ela era uma criança, eu tive de acabar de a educar, sou mais velho do que ela 11 anos... a minha filha tinha para aí uns 21 anos e eu dei-lhe uma bofetada porque ela me respondeu mal...Mas eu não aconselho isso, porque nem ela é um bombo, nem você....Se vocês mais tarde se separarem, a casa é dela..., é vossa...Eu adivinhei logo que era o senhor quando ela me disse que me queria apresentar uma pessoa, por ai já vê que não lhe conheci mais ninguém...Para ela não vir a ser uma qualquer, nunca a deixava ir a excursões com a escola, nunca se sabe, no meio das confusões...
Muito mais tarde, cerca das 11:30h saímos da tipografia dizendo que íamos almoçar juntos...
Fomos ter com a R. (ex-namorada do meu irmão) ao café. Ela estava também muito triste por causa da minha avó ter falecido. Alegrou-se também com este circo todo que lhe contámos...
Quando saímos do café o meu irmão fez-se “Manuel da horta” e disse ao meu pai “Então a Fénix está a namorar com aquele rapaz?”
Ela já é maior e vacinada, não tenho nada a ver com isso. Ela é que sabe da vida dela...
Ele estava muito contente por ter sido o primeiro a saber...
QUE TRISTEZA!